15 de fev. de 2010

Circo eu, circo tu

E antes de dormir, o circo eterno que habita em mim abre suas portas.

Quem dá as boas vindas ao respeitável público é o senhor de quarenta e nove anos, insistindo em tentar convencer que o
mundo não é de todo mal e que Beatles é a melhor banda do mundo. Diz tudo em palavras curtas, para agilizar o espetáculo.
Chama o primeiro palhaço. Ele está de calça jeans, camiseta com estampa pseudo revolucionária e all star surrado.
Um palhaço com trajes de adolescente-revoltadinho-da-mamãe. Apresenta sua arte, desenhando com lápis, papéis e cinismo, ouvindo Paramore.
Ao sair, convida uma mulher a  subir no palco. Ela tem cabelos grisalhos, fala mansa e uma tendência a ser dona da situação. Da sua boca só são proferidas palavras bonitinhas ou músicas do Roberto Carlos. Do tipo
que enjoa depois de alguns minutos, mas não deixa de ser adorável. Com ela, uma garotinha com medo, que fica calada para não se arriscar.
Depois, um grupo de pessoas entram e fazem uma coreografia ao som de Bon Jovi, e quem mais se emociona pra variar é uma velhinha linda, fã de Elvis, que parece ser a responsável por todos ali. Mas é só mais
uma criança entre tantas.
No telão, são passados todos os momentos ruins de uma vida. Choro, gritos, solidão. A música agora é Run Baby, Run e as cenas ruins são metralhadas por momentos ótimos da mesma vida. Sorrisos, gritos, solidão.
Eles fazem mais algumas coisas e se despedem. Estava escuro demais pra ver que só havia alguém ali na platéia, alguém vendo a sua vida passar. Só vendo. Let it be.