E, no meio do pesadelo fui acordada.
Sentei na cama, desnorteada. A cena vem se repetindo há meses.
Passei a mão na minha cabeça e o meu curto cabelo estava lá. Não estava com câncer, não estava em estado terminal e não havia sessões de quimioterapia pra fazer de manhã.
O realismo que há em alguns sonhos me assusta. Eu me vi mesmo na cama de um hospital, cheia de sondas, faixas e caras de pena ao meu redor.
Tava tão ruim que precisava de uma cadeira de rodas. Eu sentia a textura das rodas ao tentar me mover.
Gritei quando aplicaram uma dose de algum remédio em mim. Acho que gritei de verdade, vieram ver se tava tudo bem.
Claro, fica tudo bem quando tá tudo claro. Enquanto eu não durmo, quando eu não sonho com isso. Quando eu não acordo sentindo as mesmas dores durante o sonho.