O problema, pequeno garoto, é a sua alma jovem. Quando ri, parece uma criança. Seus olhos ficam pequenininhos, seus dentes -ainda de leite?- brancos parece maiores. Mas eu gosto de ver você assim.
Sua alma é bonita e jovem. Tão jovem ao ponto de acreditar nas pessoas, de se deixar levar, de gostar de quem te dá o mínimo de atenção. E de correr atrás de quem não quer saber.
Sua vontade de alcançar o mundo ainda é maior que você, maior que sua idade. Sua visão é aquilo que talvez nunca aconteça, seus sonhos tão distantes. E você não quer ver.
O problema, pequeno garoto, é que eu já tô velha demais. Nosso problema do tamanho de gente grande. Claro que continuo encantada com essa juventude que tem fabricado garotos cada vez mais estranhos, cada vez melhores.
Tenho gostado cada vez menos de meninos da minha idade, inclusive. Tanta infantilidade, besteira... Me cansa. E você não chegou nessa fase ainda. Ou você é tão especial que nem precisa passar por isso. Mas não dá pra mim. Não consigo ter paciência com sua imaturidade, com a sua empolgação.
Ainda escuto os sucessos antigos, as músicas originais, prefiro o ao vivo. Eu escuto quem já morreu. Você só vira conhecê-los quando tiver minha idade. Minha idade mental, digo. Digna de uma senhorinha de quarenta e poucos anos.
Desculpa, garoto. Algumas coisas não encaixam. Sofisticação e antiguidade podem dar origem ao luxo ou ao lixo. E não me faça dizer o que seríamos. Desculpa, garoto. Te deixarei crescer em paz.