Sabe, não consigo deixar de lado, simplesmente.
Eu não quero ver tudo sendo dissolvido de novo, e eu ali, parada.
Eu posso não querer reviver e criar minhas mágoas. Eu posso correr atrás por quem eu acho que não merece.
Gosto de me colocar em risco, gosto da dor. Eu preciso sofrer pra me sentir viva. Preciso sair por aí, de noite, vento na cara.
Não é raiva, é medo. Eu sou medrosa pra caralho. Olha pra mim, ninguém me leva a sério. Nem eu! E isso não é ruim, é apenas um fato.
-Se eu não estivesse tão aflita, riria de mim agora mesmo-
Eu sou nova nesse negócio de se aceitar, merda.
Não adianta eu colocar um metalzão pra entupir minha cabeça se eu já conheço a música, se eu sei cantar.
É tão fácil me irritar. Vejo uma pessoa cantando errado alguma música e já me tira do sério. Mas é tão mais fácil me arrancar um sorriso. Rir de tudo é desespero, e eu rio de tudo. Sabe a dor? Eu tento esconder. É raro me ver por aí chorando. Tem que ser muito foda. Modestia deixada de lado, eu sou uma boa atriz.
A dor é minha, porra. Deixa você me achando retardada por sorrir demais, eu sei que pensam assim. Psicologia reversa, baby. Sempre funciona comigo.
Só o que me mata é tentar mudar, falar, expor os fatos, oferecer algo importante de mim e não ver resposta. Reciprocidade não é mato por aqui. Ok, mudou. Dou dois dias pra tudo voltar ao normal. E realmente, não precisa disso tudo.
O suicídio me parece tentador. Além da minha curiosidade extrema sobre o que acontece depois da morte, sinto como se eu vivesse presa. Algo sempre precisa encontrar a liberdade em mim todos os dias. Acho que já estou de saco cheio de mim. Mas eu acho que um cortezinho sanaria toda a minha amargura, minha agonia. O sangue me encanta. A dor mais ainda, e a sensação de ardência. O poder da decisão, o saber que tenho poder, domínio sobre mim. Ao mesmo tempo entro em contradição. Já tentei, não consegui. Por hora, desisti de tentar. Desisti da idéia da morte, não do corte. Sim, desisto fácil. Poucas coisas (e pouquíssimas pessoas) me prendem.
Engraçado, tento me livrar de mim mesma e me sinto mal por ser tão desapegada com as pessoas.
Me reivento, me reedifico (a mim, não aos muros), me boicoto, me supero, me desespero. Não sou a mesma nunca, e sempre a mesma porcaria. Nem assim me satisfaço.
Meus muros não me deixam longe delas, elas apenas ficam rodeando.
Eu não gosto de pessoas. Mas ok, são necessárias. Fazer o que? Sou conformada mesmo. Deixa estar. Let it be. Só me dê adrenalina. Tenho andado elétrica, tenho que me aquietar. Me poupar dessa vida. Me guardar. Tô gastando intensidade demais com quem nem merece. Eu não sou assim.
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Ozzy, meu filho, desculpa ai. Sei que foge de mim procurar músicas novas (normalmente o acaso faz elas virem até mim), mas o que sei ouvir além de você é o Thom, meu vesguinho preferido. E o momento não pede isso. Mas não me abandonem. Não vocês!