3 de mai. de 2010

Sei, o mundo além das minhas paredes é bem atrativo. Sei que quando o calor surge, o vento lá fora é mais agradável que o meu ventilador remendado, o ar puro ao invés de quarto abafado, com cortinas velhas.
Sei que o sol pode não me fazer bem, mas ele não é de todo o mal. Significa muita coisa. E com a minha janela fechada não o permito entrar.
Sei que o correr no meio da rua causa uma adrenalina fora do comum. Isso me faz bem.
Eu sei, eu sei bem de todas essas coisas. Daí tenho medo.
De sair daqui, de ir pro mundo, pra vida. De acabar gostando da idéia, de não ser de ninguém, da tal liberdade.
Vai que eu gosto e acabo não voltando. Vai que eu me arrependo.
Eu preciso dessa estabilidade, desse momento de poder deitar e ler um bom livro. De ter litros de café ao meu dispor e ter pessoas ao meu redor - da minha porta pra fora.
Porque da porta pra dentro eu me sinto demasiadamente bem. Eu controlo tudo, meu mundo. Minhas coisas, meu lugar.
Eu tenho que ter meus pés no chão, eu preciso disso daqui.
-Mais um paradoxo podre.